Como Administrar meu Dinheiro: 11 Dicas para fazê-lo render

por Tasso Lago, em 17 de fevereiro de 2022

Engenheiro, Pós Graduado em Finanças Corporativas pela COPPEAD/UFRJ e Mestre em Corporate Finance pela Université de Bordeaux. Atuou como Analista Financeiro para o Banco da IBM - USA e para Fundação Getúlio Vargas como Inteligência de Mercado. Professor de Blockchain e Criptomoedas na COPPEAD/UFRJ. Atua como Gestor de Portfólio e Consultor Financeiro, tendo mais de 10 milhões de reais em ativos gerenciados.




Se tem algo que nós buscamos ao longo da vida é ter uma aposentadoria tranquila e confortável. Apesar desses dois itens serem uma unanimidade, não é todo mundo que alcança essa meta. E se você está buscando trilhar um caminho até lá. Saiba que não é tão difícil assim alcançar esse objetivo, basta você saber como administrar o seu dinheiro.

Nesse caminho, duas expressões precisam se tornar palavras de ordem para que você alcance os seus objetivos: gerenciamento de recursos e administração de despesas. E por mais simplório que pareça dizer que tudo se resume a isso, a verdade é que a junção desses conceitos é base para uma vida financeira segura e confortável.

Saber administrar seu dinheiro é o início do processo para que você possa aumentar seu patrimônio ou realizar o seu sonho, seja ele a casa própria, o carro novo ou a viagem dos seus sonhos

O primeiro passo para alcançar um objetivo, seja ele de curto ou longo prazo, é economizar. Ao longo deste processo, alguns obstáculos ou contratempos podem surgir, claro. Mas manter o foco no seu objetivo é essencial para que você administre o seu dinheiro do melhor jeito possível. E, em alguns momentos, pode ser que você tenha que fazer renúncias em algumas situações em prol do seu objetivo.

Para ajudar você a aprender a gerenciar suas despesas e administrar melhor o seu dinheiro, preparamos 11 dicas para ajudar você a alcançar seus objetivos e fazer o seu dinheiro render.

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Planeje seus gastos com antecedência

Uma das coisas que você deve deixar de lado é confiar na sua memória e instintos para controlar os seus gastos. Isso pode ser mais arriscado do que você imagina e vai fazer você utilizar o seu dinheiro de forma errônea.

O melhor a se fazer nesse sentido é planejar, antecipadamente, todos os seus gastos. Faça isso com frequência, de preferência, todo mês. Isso vai ajudar com o planejamento mensal de gastos, despesas periódicas como festas de final de ano e aniversários e, principalmente, o quanto você poupará todo mês.

Além disso, o planejamento faz com que o risco de que você esqueça de alguma despesa diminua drasticamente, evitando surpresas posteriores.

Controle Frequente

Por mais óbvio que parece, a constância em se fazer um controle do que se tem em caixa e do que foi gasto é uma das formas mais simples e eficazes de manter tudo dentro do planejado. No início, é bem provável que você tenha que se lembrar de fazer isso, mas com o passar do tempo, vira um hábito e passa a ser natural.

Outro ponto importante é fazer esse controle sempre em um mesmo lugar. Um jeito simples de se fazer e que vai permitir você a acessar em qualquer lugar são as planilhas, que podem ser feitas no computador e acessadas/editadas em qualquer smartphone. Também existem aplicativos especializados para controle financeiro que podem ajudar, basta você escolher o que mais você se adapta.

Diminua as despesas desnecessárias

Com os planejamentos feitos com antecedência e os gastos sob controle, fica mais fácil identificar quais são os seus gastos supérfluos ou desnecessários, que podem representar uma despesa relativamente grande nos gastos mensais.

Com estes gastos devidamente identificados, você vai poder escolher quais são aqueles que podem (e devem) ser eliminados. Isso vai aliviar as contas e ajudar não só a quitar dívidas, mas também a poupar e investir.

Uma boa forma de contar esse tipo de gasto sem abrir mão de alguns deles, como os momentos de lazer, é reservar um percentual do total recebido mensalmente. Exemplificando: separe 20% de tudo o que você ganha por mês para esse tipo de gasto. Assim você consegue controlar sem abrir mão de ter momentos de lazer. Isso vai ajudar a controlar os gastos.

Evite realizar compras por impulso

Talvez o mais vilão das contas é a compra por impulso. Aquela que não é nada planejada e que é feita nas promoções que você encontra na rua ou por conta de propagandas que parecem boas ofertas, mas que podem representar um gasto desnecessário.

Então, voltamos ao início quando falamos que o ideal é planejar todos os gastos a serem realizados e, principalmente, manter-se fiel ao planejamento, o que evita os deslizes. Outra forma de se manter livre dos gastos por impulso é não levar consigo um grande valor em dinheiro, especialmente quando se vai realizar alguma compra. Isso evita que você caia na tentação de gastar só pelo fato de ter o dinheiro à mão.

Compare preços e não se atenha a marcas

Antes de qualquer compra, é essencial que se faça uma pesquisa de preços, mas você também deve se desprender das marcas dos produtos.

Diversos produtos têm funções muito semelhantes e geralmente optamos pela marca mais cara por achar que ela tem mais qualidade. Mas nem sempre o preço quer dizer que aquele produto vai atender às suas necessidades. Mais importante do que ostentar uma marca de um produto é ter algo realmente útil e que vai resolver o seu problema.

Na hora da compra, além de verificar se ele atende a tudo o que você precisa, se atente também a possíveis custos como assistência técnica. Produtos sem assistência no país tem custo de reparo muito mais caro.

No caso de medicamentos, por exemplo, opte pelos medicamentos genéricos. Em alguns casos, podem custar até 80% menos do que os demais, com a mesma qualidade.

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Prefira compras à vista

Fazer compras sempre é algo que coloca as pessoas em tentações, principalmente quando você faz parcelas pequenas a perder de vista. Esse é um dos principais motivos de dívidas e compromete e muito o seu orçamento, tanto o mensal quanto a longo prazo.

Na prática, quando você parcela algo, o valor total do produto é maior, por conta dos juros e taxas. Por isso, dê preferência para compras à vista.

E se você não tem o dinheiro naquele momento, poupe. Por alguns meses e junte o valor total do produto para pagar à vista. Apesar da espera, o dinheiro poupado nessa situação será bastante grande. 

Mas, como dissemos, dê preferência. Mas, se você realmente precisar comprar algo por uma emergência, qualquer uma que seja, analise bem o todo da compra, faça contas, para não se surpreender depois. Emergências acontecem e, nesses casos, a opção do parcelamento pode ser válida.

Tenha cuidado com cartões de crédito

O grande problema dos cartões de crédito é que o dinheiro não é gasto na hora da compra… Mas depois, na hora de pagar a fatura. A tentação dos cartões é grande, já que eles aumentam o poder momentâneo de compra. Porém, a sua estabilidade financeira pode ficar comprometida se os valores se acumularem caso você não pague a fatura cheia, tornando a dívida em uma bola de neve.

A melhor escolha é usar o cartão com sabedoria e de forma controlada. Além disso, anotar tudo o que você gasta no crédito ajuda a você contabilizar quanto gastou e não tomar nenhum susto com a chegada da fatura.

E uma dica de ouro: evite pagar o mínimo da fatura. Nem coloque como opção. Pague o valor total para evitar a incidência de juros, que no caso do pagamento mínimo, são bem altos e podem comprometer o seu planejamento.

Tenha uma reserva para emergências

Imprevistos acontecem. Faz parte da vida. Sejam eles quais forem, um carro quebrado, um problema de saúde, um computador que você usa para trabalhar que deu problema e precisa de conserto, além de acidentes de qualquer natureza. Geralmente, imprevistos custam dinheiro. E é disso que nós vamos falar.

Coloque no seu planejamento uma reserva para emergências. Isso vai te dar a possibilidade de resolver o problema de forma mais rápida e sem precisar comprometer o seu orçamento.

Você pode fazer essa reserva com um valor mensal, que você vai determinar no final de cada mês, ou um valor fixo, que você já calculou e não vai precisar tirar do seu orçamento. Lembre sempre de repor esse dinheiro quando for gasto. Como dissemos, imprevistos acontecem e é sempre bom estar pronto para eles.

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Evite gastos por ostentação

Se tem algo que você precisa eliminar do seu dia a dia é gastar por ostentação. Esse é um hábito que detona todo e qualquer planejamento financeiro. Quer um exemplo? Trocar de carro todo ano. Além do valor altíssimo, os gastos inerentes à compra, manutenção e reparos vem junto no pacote.

A primeira coisa que você deve pensar em uma compra é: eu realmente preciso disso? Se você responder sim, pergunte de novo. Se responder sim novamente, aí sim avalie a compra. Comprar coisas pelo simples prazer da compra e posse é um erro fatal.

Com isso, a dica mais importante é: não gaste simplesmente por gastar. Tenha objetivos com cada compra. Seja ela a troca de um carro ou da sua casa, eles tem que estar no seu planejamento, nos objetivos a longo prazo. E opte sempre por gastos menores e necessários. Ter o melhor celular, o melhor computador, as melhores roupas, o melhor carro simplesmente para ostentar e dizer que possui vai estragar os seus planos de futuro.

Trace metas e tenha objetivos a serem cumpridos

Ter metas e objetivos muito bem determinados é um passo importante para começar um bom planejamento financeiro e, consequentemente, vai te ajudar a poupar e gerenciar melhor o seu dinheiro. Esses dois itens vão contribuir para o controle dos gastos e chegar onde você quer, seja ele um objetivo de curto, médio ou longo prazo.

Quanto você traçar os seus objetivos, leve em conta a prioridade de cada um. Mas lembre-se que cada tipo de objetivo tem um prazo maior para sua realização. Comprar uma casa, por exemplo, leva mais tempo do que poupar para fazer uma viagem. E isso deve ser levado em conta na hora de fazer o planejamento. 

E mesmo que sejam diferentes entre si, seus objetivos são essenciais para o seu planejamento. É o próximo passo para a administração do seu dinheiro. E sempre que você cumprir um objetivo, é importante já ter outro no planejamento, para que você mantenha o foco no equilíbrio da sua vida financeira.

Faça investimentos

Poupar é preciso, mas multiplicar o dinheiro também é. Por isso, não deixe de investir. Isso fará com que o que você tem guardado gere renda e isso melhore a sua situação financeira com mais rapidez. 

Mas calma, não é para sair investindo em qualquer coisa. Entender quais são os investimentos que se encaixam à sua realidade é essencial para fazer boas escolhas. Você pode buscar ajuda de um especialista, por exemplo, para tirar dúvidas e ver qual é o ativo que te dará um bom retorno com baixo risco de prejuízo.

Uma ressalva importante. Seu orçamento precisa estar em dia sempre. Então, nenhum investimento deve comprometê-lo. Isso quer dizer que todo e qualquer aporte em ativos deve ser feito com cautela e apenas com os valores poupados para essa finalidade.

Uma ideia para ajudar você a começar a investir é separar um valor mensal para isso. E somente para isso. Não é o valor do seu fundo de emergência, das suas contas ou qualquer outra parte do seu orçamento. Com isso, você evita qualquer comprometimento com o seu orçamento e pode investir, desde que com sabedoria e cautela para obter o melhor rendimento possível.

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