Educação Financeira: o que é e porque é tão importante

por Tasso Lago, em 15 de dezembro de 2021

Engenheiro, Pós Graduado em Finanças Corporativas pela COPPEAD/UFRJ e Mestre em Corporate Finance pela Université de Bordeaux. Atuou como Analista Financeiro para o Banco da IBM - USA e para Fundação Getúlio Vargas como Inteligência de Mercado. Professor de Blockchain e Criptomoedas na COPPEAD/UFRJ. Atua como Gestor de Portfólio e Consultor Financeiro, tendo mais de 10 milhões de reais em ativos gerenciados.




Se você é daqueles que acha que educação financeira é algo para aprender sobre mercado financeiro, ações na bolsa, estudos mais profundos sobre economia mundial globalizada e coisas assim, acho que é hora da gente desmistificar isso na sua cabeça;

Educação financeira é, falando de forma simples, entender como administrar o seu dinheiro. Isso inclui as contas da sua casa, compreender melhor os processos de compra e venda de bens, formas de parcelamento de dívidas e compras a prazo, entre outras coisas do dia a dia.

E a importância dela se destaca por um dado divulgado pelo Serasa, órgão de proteção ao crédito, no ano passado. De acordo com a entidade, o Brasil ultrapassou o número de 63 milhões de pessoas com dívidas atrasadas em 2019. Isso significa que mais de 40% da população adulta tem problemas financeiros.

Eis aí a necessidade, e importância, de se falar de educação financeira, não só com os adultos, mas também com as crianças. Se você aprende desde cedo como gerenciar o seu dinheiro, você consegue planejar melhor seus gastos e garantir sua estabilidade e independência financeira.

Esse é o principal foco da educação financeira. Evitar os famosos perrengues. Se você entende como você gasta o seu dinheiro, sabe dosar os gastos necessários e os supérfluos, fica mais fácil de guardar dinheiro e, principalmente, investir seu dinheiro para que ele passe a render.

Para entender melhor como o Brasil ainda precisa melhorar e muito nesse aspecto, atualmente ocupa a 74ª posição, de um total de 144 países, no que diz respeito à educação financeira no mundo.

A pesquisa ‘S&P Ratings Services Global Financial Literacy Survey’ (Pesquisa Global de Educação Financeira da divisão de ratings e pesquisas da Standard & Poor’s) mostrou que o Brasil está atrás de alguns dos países mais pobres do mundo, como Madagascar, Togo e Zimbabwe, todos na África.

A pesquisa foi baseada em entrevistas realizadas em 2014 com mais de 150 mil adultos e é considerada a maior já feita no mundo sobre o assunto.

Educação Financeira: o que é e porque é tão importante
 Educação Financeira: o que é e porque é tão importante

Educação financeira nas escolas

O tema tem ganhado cada vez mais importância. Tanto é que o Ministério da Educação colocou a educação financeira como um tema obrigatório nas escolas desde 2020.

O ensino fundamental, que engloba alunos da 1ª à 9ª séries, vai passar a oferecer o estudo de conceitos básicos de economia e finanças, focando principalmente na economia pessoal e nos itens do dia a dia, como impostos e outros gastos pessoais.

Além disso, temas como taxas de juros, inflação, aplicações financeiras, rentabilidade, investimentos e impostos também serão discutidos em sala de aula.

Já para o Ensino Médio, a educação será mais focada na compreensão de temas mais complexos como o sistema monetário nacional e mundial, balança comercial e outros assuntos da macroeconomia que podem afetar diretamente o nosso dia a dia.

Por que educação financeira pessoal é importante?

Lembra daquele percentual do Serasa que falamos no começo do texto? Se atualmente temos um percentual maior do que 40% da população financeiramente ativa  com dívidas e com o nome sujo é sinal de que não houve planejamento financeiro.

E tem um item da educação financeira que merece destaque neste post: o planejamento.

Planejar as suas finanças, colocando gastos fixos, gastos variáveis, renda mensal, investimentos, fundo de reserva ajuda você a ter um panorama melhor do que está acontecendo.

E o jeito mais simples de se fazer isso é com uma planilha. 

Na planilha você visualiza tudo com clareza e fica mais fácil de entender onde estão os gastos, onde pode haver uma economia, onde está sendo gasto de forma desnecessária, além de ter um controle do que entra e sai.

Isso vai ajudar você a fazer escolhas mais inteligentes na hora de gastar e de poupar o seu dinheiro também.

Outro ponto a se observar são os juros a serem pagos em compras parceladas ou em pagamento de dívidas, por exemplo. Entender como funcionam as cobranças de juros e o quanto elas podem afetar o seu orçamento ajuda muito no controle dos gastos. 

É importante estabelecer um prazo para quitar as dívidas. É possível traçar um plano anual, mensal ou até pequenas metas semanais e diárias. O importante é ter um guia que te ajude a manter o foco e não desistir.

E onde fazer essa planilha?

Você pode optar pelo Excel, programa bastante famoso para se fazer planilhas. O Google também tem as suas planilhas, que podem ser acessadas e editadas no computador e no smartphone.

Falando em smartphones, existem diversos aplicativos que ajudam você a controlar gastos e organizar suas finanças. Alguns gratuitos, outros pagos. Você pode fazer uma pesquisa para ver aquele que mais se adequa à sua realidade, baixá-lo e começar a usar.

E como é possível aprender sobre educação financeira agora?

Em tempos de internet, aprender sobre qualquer coisa é possível, isso também vale para educação financeira. Então vamos deixar abaixo algumas dicas básicas sobre o que fazer para reorganizar suas finanças e começar a entender melhor o que a educação financeira pode fazer por você. Dá uma conferida!

 1 – Entenda os seus ganhos e gastos: O primeiro passo é entender tudo o que você ganha e gasta. Para isso, faça uma planilha, pode ser no excel, nas planilhas do google ou em aplicativos próprios para isso.

Em um lado da planilha você coloca todas as suas fontes de renda (salário e qualquer outra fonte de entrada de dinheiro) e do outro todas as suas despesas (contas fixas como água, luz, aluguel e todas as despesas do dia a dia como comer em restaurantes e etc). 

Você pode ir além e pensar em gastos futuros também, adicione a planilha tudo aquilo que pode ser importante em relação às suas despesas, mesmo sendo gastos futuros. Com isso você vai poder enxergar o cenário financeiro em que você está com clareza.

2 – Faça uma reserva de emergência: Imprevistos acontecem com qualquer pessoa. Seja qual for, se você fizer uma reserva, guardando um pouco todo mês em um fundo com uma boa rentabilidade, conseguirá superar o imprevisto sem precisar sacrificar seu dinheiro.

3 – Quite seus débitos: Antes de pensar nos investimentos, quite todas as suas dívidas. Com todas elas eliminadas, fica mais fácil guardar e investir dinheiro. Não se esqueça de levar em conta os juros e todos os encargos na hora de negociar uma dívida, negociar é a chave de tudo aqui.

4 – Separe a empresa da pessoa física: se você é empresário, de qualquer tamanho, manter separada a sua empresa da pessoa física vai te ajudar não só a entender as finanças da empresa e como você pode investir nela quando necessário, como também ajuda a manter o seu orçamento pessoal em dia.

5 – Fale sobre dinheiro: Não tenha medo de falar, com os seus pais, companheiros, amigos, maridos/esposas, filhos. Falar sobre finanças ajuda a entender melhor as coisas, a aprender a observar o assunto de outras perspectivas e é uma boa forma de colocar a educação financeira em prática.

Entenda a importância da educação financeira e como ela afeta a sua vida
Entenda a importância da educação financeira e como ela afeta a sua vida

Essas dicas são um bom começo para você reorganizar suas finanças e pensar em investimentos futuros, que vão garantir a você a estabilidade e independência financeira que todos buscamos.

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E se você tem alguma dúvida, pode entrar em contato com a gente. Será um prazer ajudar.

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