O que é e Como Funciona a Retração de Fibonacci

por Tasso Lago, em 12 de abril de 2022

Engenheiro, Pós Graduado em Finanças Corporativas pela COPPEAD/UFRJ e Mestre em Corporate Finance pela Université de Bordeaux. Atuou como Analista Financeiro para o Banco da IBM - USA e para Fundação Getúlio Vargas como Inteligência de Mercado. Professor de Blockchain e Criptomoedas na COPPEAD/UFRJ. Atua como Gestor de Portfólio e Consultor Financeiro, tendo mais de 10 milhões de reais em ativos gerenciados.




Você conhece a retração de Fibonacci? Sabe o que ela significa? Neste artigo vamos discorrer sobre o assunto e como ele pode te ajudar nos investimentos.

É bem provável que você lembre do no Fibonacci das aulas de matemática na escola. A sequência de Fibonacci é utilizada até hoje, em muitos aspectos, como a própria matemática, arquitetura, artes e uma série de outras coisas.

Mas este artigo não é para falar dessa sequência e sim da retração de Fibonacci, um outro conceito que ajuda e muito no mundo dos investimentos e que todo investidor, desde o mais experiente até o novato deve saber do que se trata.

O que é retração de Fibonacci?

O que é retração de Fibonacci?
Imagem: Smithsonianmag.com

Em linhas gerais, a retração de Fibonacci é um indicador de padrões no mercado, bastante utilizado em análises técnicas. Com ele, você pode fazer projeções, com dinamismo, de um ativo, para compreender e apontar como será a movimentação de um investimento da sua carteira ou que você esteja de olho.

O foco principal desse indicador é achar quais são os patamares de resistência e suporte. Ou seja, onde começam as mudanças nos valores dos ativos.

Resumidamente, se o gráfico aponta uma tendência de alta, o preço deve cair e vice-versa. Na prática, a tendência primária do gráfico aponta a direção da movimentação. 

Ele é baseado em um conceito matemático bastante famoso e que nós citamos acima, a sequência de Fibonacci. Segundo ela, a soma de um número com o seu antecessor dará como resultado o próximo número. 

Começando por 0 e 1, a sequência fica assim:

0,1,1,2,3,5,8,13,21,34… e ela segue até onde você conseguir imaginar. 

Com ela em mente, extraímos alguns indicadores que devemos ter em mente, mas vamos explicar melhor com a continuidade do artigo, para não confundir vocês. Esses indicadores vêm em forma de porcentagem e são: 100%, 61,8%, 38,2%, 23,6% e 0%. Mas nós vamos falar com mais calma sobre esses valores.

Como e quando usar retração de fibonacci?

Agora que já entendemos o conceito desse indicar, vamos entender melhor como ele funciona e quando usá-lo.

O desenho desse indicador costuma ser feito para mostrar dois pontos importantes de preço, como um mínimo e máximo, por exemplo. Esse intervalo serve de base para análises futuras. 

O que a retração de Fibonacci faz (hoje em dia, a maioria dos sites de bolsas de valores já transformou isso em ferramenta, para facilitar os cálculos) é mapear níveis de variação dentro do intervalo determinado, Além disso, pode oferecer informações relevantes sobre os níveis de preço fora do intervalo considerado.

O desenho desse intervalo geralmente é feito em cima de uma tendência. Se ela é de alta, o ponto mínimo dele seria 1 (ou 100%) e o máximo seria 0 (0%). Quando você traça as linhas de retração de Fibonacci nesse tipo de tendência, é possível notar e ter uma ideia de quais serão os possíveis níveis de suporte, que podem ser testados caso o mercado comece a recuar – e é daqui que vem o termo retração.  

Em contraponto, quando a tendência é de baixa, os pontos mínimo e máximo se invertem. Nesse caso, o movimento de retração se refere a parte inferior do gráfico, apresentando um efeito de salto. Com isso, esse indicador vai fornecer informações sobre os níveis de resistência possíveis, para quando o mercado começar a subir.

Quais os níveis de retração de fibonacci?

Lembra das porcentagens que citamos acima e prometemos que explicaríamos depois? Agora é hora de falar sobre elas.

A retração de Fibonacci é classificada em níveis, cada uma deles com sua característica, e que recebem o nome de zonas de alerta. Eles indicam pontos onde é esperado que aconteça uma reversão das tendências que vinham sendo apresentadas pelo ativo.

Essas zonas são, geralmente, vistas como ponto de entrada pelos investidores. Para quem consegue fazer uma boa leitura, isso pode ser uma vantagem e uma forma de impulsionar a carteira de ativos.

Existem 3 zonas de alerta. Vamos a elas.

Retração leve – 23,6% – São as mais comuns e normalmente tem duração curta, o que exige que o investidor seja bastante ágil para não perder a oportunidade caso isso faça parte da sua estratégia.

Retração moderada – 38,2% – Quando ela acontece, significa que a correção chegou a esse patamar e na sequência ela perde força e entra em queda.

Retração alta –  61,8% – Ou retração de ouro, como é conhecida. É a mais forte, a que geralmente é a melhor aproveitada, porém ocorre com menos frequência.

Como calcular a retração de Fibonacci?

Como calcular a retração de Fibonacci?
A retração de Fibonacci está em todos os lugares, até mesmo no mercado de ações

O cálculo da retração de Fibonacci é feito por meio de um gráfico, que deverá conter linhas horizontais, de acordo com a sequência de Fibonacci, com os seguintes valores: 100%, 61,8%, 38,2%, 23,6% e 0%.

Há outros dois percentuais que podem ser colocados nesse gráfico, que são 50% e 76,4%. Também são números que podem indicar mudança de direção nos preços, mas nem todos os investidores adotam esses valores.

As retrações consideradas mais fortes são aquelas que ocorrem nos maiores percentuais. São menos frequentes mas costumam ser muito bem aproveitadas quando ocorrem.

Como usar esse indicador na prática?

No dia a dia, a retração de Fibonacci mostra as zonas de atenção que o investidor deve manter no seu radar, já que os pontos indicam a tendência de aumento ou queda do preço e o momento em que essa tendência pode ser revertida para qualquer um dos lados.

O investidor traça os pontos inicial e final de um movimento de um ativo e a partir daí os patamares passam a ser identificados. É esperado, na sequência, uma onde de correção, sendo possível projetar a onda de reversão, que virá em direção oposta.

O que os níveis de Fibonacci demonstram

Em linhas gerais, os níveis são utilizados para determinar as melhores possibilidades de área de entrada, preço alvo ou pontos de parada de perda (stop-loss). Isso muda bastante de acordo com a estratégia, estilo do investidor e a configuração usada naquele ativo.

Nem sempre a retração de Fibonacci é o único indicador usado. Também pode ser usado em conjunto com a Teoria das Ondas de Elliot, por exemplo. Ela vai encontrar correlações entre as estruturas de onda e áreas de interesse em potencial. Os indicadores usados variam muito de acordo com a estratégia a ser adotada. 

E como em qualquer estratégia, ao ser combinada com outros indicadores de análise, a retração de Fibonacci fica mais poderosa. Ela pode ser muito mais do que um sinal para compra ou venda de um ativo, ela também pode servir para confirmar ou não o que outros indicadores apontam.

Com isso, um ativo pode ou não sofrer uma reversão ao atingir um determinado nível na escala. É primordial que, além dos indicados, você gerencie os riscos e simultaneamente leve todo o ambiente do mercado financeiro atual e a situação econômica em consideração.

Extensão de Fibonacci

Além de tudo o que já dissemos, também há a extensão da retração de Fibonacci. Ela pode ser usada como uma forma de medir níveis importantes possíveis fora do intervalo atual. 

Os níveis de extensão podem ser visualizados como possibilidades de valores alvo para trading. Cada investidor escolhe um nível diferente para ser seu alvo (podendo ser mais de um). Os níveis são 138,6% – 150% – 161,8% – 261,8% e 423,6%. Esses são os mais adotados atualmente no mercado.

Então, os níveis de extensão de Fibonacci indicam, possivelmente, áreas onde os próximos movimentos de preços podem terminar. Entretanto, é essencial saber que essas áreas não devem, sob qualquer hipótese, serem lidas e interpretadas como sinais diretos para qualquer trading.

Eles são indicadores e precisam ser avaliados no contexto do mercado, nas movimentações do ativo, dentro do cenário econômico, entre outras variáveis que podem influenciar direta ou indiretamente no movimento dos preços dos ativos.

Tabela de Conteúdos