O que é e como funciona o Bitcoin? é seguro investir?

por Tasso Lago, em 7 de julho de 2021

Engenheiro, Pós Graduado em Finanças Corporativas pela COPPEAD/UFRJ e Mestre em Corporate Finance pela Université de Bordeaux. Atuou como Analista Financeiro para o Banco da IBM - USA e para Fundação Getúlio Vargas como Inteligência de Mercado. Professor de Blockchain e Criptomoedas na COPPEAD/UFRJ. Atua como Gestor de Portfólio e Consultor Financeiro, tendo mais de 10 milhões de reais em ativos gerenciados.




O Bitcoin é a principal criptomoeda de um mercado que atualmente vale mais de U$300 bilhões, e ainda é uma relativa novidade no Brasil, gerando diversas dúvidas, tanto guiadas pela curiosidade popular quanto pelo interesse que gera a quem deseja realizar investimentos que sejam capazes de se valorizar acima da média do mercado.

Nos últimos anos, o Bitcoin se tornou notícia por diversos motivos, tanto bons quanto ruins.

Como tudo que envolve “dinheiro”, foi centro de golpes, esquemas de pirâmide e representou perdas consideráveis para muitas pessoas, mas, por outro lado, também fez com que pessoas comuns, que levariam vários anos para construir um patrimônio considerável, enriquecessem e construíssem verdadeiras fortunas, de forma totalmente lícita e sustentável.

Para esclarecer todas as dúvidas que envolvem o Bitcoin, esse conteúdo pretende abordar, em detalhes, o que é, como funciona, quem produz, quanto se valorizou e onde é possível investir na criptomoeda de forma segura.

Acompanhe!

O que é Bitcoin

O Bitcoin é um tipo de moeda digital criptografada (criptomoeda), citada pela primeira vez em outubro de 2008 e veiculada através de um software divulgado por Satoshi Nakamoto (pseudônimo de uma pessoa até hoje desconhecida) no início de 2009, que não existe no mundo físico, ou seja, não existe um papel ou metal chamado Bitcoin, como acontece com as cédulas e moedas de reais, dólares, euros ou libras, por exemplo.

Segundo Nakamoto, o Bitcoin foi criado como uma forma de reação à crise de 2008, quando ocorreu o estouro de uma bolha imobiliária nos EUA, que levou à falência o banco Lehman Brothers e desencadeou uma das piores quedas das Bolsas de Valores de todo o mundo.

De acordo com análises de economistas, a crise global ocorreu por conta da irresponsabilidade de bancos, seguradoras e outras instituições financeiras, que inundaram o mercado de hipotecas de alto risco, disfarçadas de investimentos seguros e rentáveis.

A criação do Bitcoin foi uma iniciativa para reduzir o poder das instituições financeiras e bancos e permitir que os cidadãos pudessem ter mais controle sobre o próprio dinheiro. 

Apesar de ser a moeda digital mais famosa, mais valorizada e mais utilizada no mundo, ela não é a única e desde que foi criada, centenas de outras criptomoedas foram lançadas, como é o caso de Dash, Ethereum e Litecoin.

Quem produz o Bitcoin

O Bitcoin é uma moeda descentralizada, ou seja, não é produzida ou controlada por nenhum país específico.

Enquanto o Real é uma moeda brasileira e o Dólar é uma moeda americana, o Bitcoin é uma moeda mundial, que não depende de um Banco Central ou uma instituição oficial para ser emitida.

O Bitcoin é produzido por milhares de computadores espalhados pelo mundo, mantidos por pessoas que “emprestam” a capacidade de suas máquinas para criar as moedas e registrar todas as transações feitas.

A produção, ao contrário do que muitos podem imaginar, não é gratuita e o Bitcoin tem seu custo de emissão, como qualquer outra moeda.

Esse valor, no entanto, não envolve metais ou materiais gráficos e sim, eletricidade, visto que a emissão exige computadores de altíssimo desempenho para solucionar os problemas matemáticos, que funcionam 24 horas por dia e consomem mais energia elétrica do que computadores comuns.

Como Funciona o Bitcoin

Após a compreensão de que o Bitcoin é uma moeda digital e que não circula de forma física, em papel ou metal, se torna explícito que as transações ocorrem, também, em ambiente digital, o que não é difícil de compreender atualmente, em um momento em que grande parte da população mundial já está adaptada ao uso de aplicativos de fintechs e carteiras digitais.

O ambiente onde o Bitcoin circula, no entanto, não faz parte de nenhum banco ou app específico.

O nome desse “ambiente” onde o Bitcoin é operado se chama Blockchain  e funciona como um livro-razão digital, operado por pessoas desconhecidas, espalhadas pelo mundo, que são remuneradas também em Bitcoins pelo “serviço” prestado na efetivação da operação.

Essas pessoas são chamadas de “mineradores”.

O que é mineração de Bitcoin e o que fazem os mineradores?

A tarefa dos mineradores consiste em utilizar supercomputadores que disputam entre si para resolver problemas matemáticos complexos que validam a transação criptografada de outros usuários. Quem resolve primeiro, é remunerado em Bitcoins.

Após concluída a resolução dos problemas matemáticos, a operação é efetivada e registrada no Blockchain, ou seja, no grande livro razão digital mundial de Bitcoins.

Também é nesse processo de mineração que se criam novos Bitcoins.

Conforme as operações são validadas pelos mineradores, vão sendo completados “blocos” do sistema (daí o nome blockchain).

A cada bloco concluído, os mineradores ganham frações de novos Bitcoins como recompensa.

A cada 210 mil blocos esta recompensa cai pela metade (o que demora aproximadamente 4 anos para acontecer), em um processo chamado de “halving”, que visa proteger o valor da criptomoeda.

Os mineradores podem ser considerados como tipos de reguladores do Blockchain, porém, como não há uma organização ou instituição que determine ou contrate essas pessoas, essa definição serve apenas como um parâmetro e não como uma nomenclatura oficial.

Como fazer Mineração de Bitcoins?

Para fazer mineração de Bitcoins é preciso contar com um computador que será usado especificamente para isso e cedê-lo para a rede confirmar transações.

Infelizmente, no Brasil, o processo de mineração não vale à pena financeiramente, visto que o custo de energia elétrica que seria investido no processo é superior ao que poderia ser obtido com a mineração.

Bitcoin é Confiável? É seguro como investimento?

O Bitcoin ainda é uma moeda que gera muita discussão e há opiniões variadas a respeito.

É fato que nenhuma moeda oferece tantas possibilidades de valorização, e pouquíssimos ativos podem ser considerados tão lucrativos quanto ele, porém, não pode-se ignorar o fato de que o Bitcoin é extremamente volátil e que, por operar às margens das agências reguladoras, não oferece dispositivos legais que garantam sua segurança, como é o caso de investimentos que contam com o FGC (Fundo Garantidor de Crédito) ou operações financeiras regulamentadas pelos Bancos Centrais.

A resposta sobre Bitcoin ser confiável ou não pode ser respondida considerando alguns pontos de vista e análises técnicas, mas de forma simplista: Bitcoin existe, é uma moeda real, segura em relação aos dados (por ser criptografada), já está no mercado há alguns anos e se provou um investimento extremamente lucrativo para quem aplicou na moeda assim que ela se tornou conhecida.

Hoje, o mercado de Bitcoin oscila e há sim, alto risco no investimento, porém, como na maioria dos investimentos financeiros: quanto maior o risco, maiores as possibilidades de lucro.

Entre grandes nomes que já investiram na moeda figura a Tesla, que em 8 de fevereiro deste ano, comprou US$ 1,5 bilhão em Bitcoin, o que fez com que a moeda se valorizasse, imediatamente.

O Bitcoin é aceito como dinheiro? Onde utilizar?

Se o Bitcoin é uma moeda, é implícito que seja utilizada para a realização de pagamentos e compras, mas, por enquanto, não é comum encontrar lugares que aceitem, explicitamente, Bitcoin como pagamento, no Brasil. Isso não significa, porém, que a moeda não tenha valor para transações nacionais, muito pelo contrário. Entre pessoas físicas e em negociações diretas, não é incomum que o Bitcoin seja aceito como pagamento.

Nos Estados Unidos, no entanto, grandes marcas como Dell, Microsoft e Subway já aceitam pagamento em Bitcoin em diversas de suas lojas espalhadas pelo país, o que esclarece que companhias que estão na vanguarda e são referências em seus mercados, confiam no uso da criptomoeda.

A Paypal, uma das maiores gestoras de pagamentos do mundo, também anunciou a integração com criptomoedas para transações dentro da plataforma, o que fez com que, mais uma vez, a moeda tivesse seu valor reconhecido como ativo financeiro e portanto, aumento na sua cotação como investimento.

Bitcoin passa a ser aceito como moeda legal

Recentemente, El Salvador anunciou que passou a aceitar Bitcoins como moeda legal no país, a fim de desafiar o padrão-dólar e as restrições impostas à sua economia.

El Salvador não possui moeda própria desde 2001 e adotou o dólar americano como moeda padrão para transações. Agora, passa a ser obrigatório o aceite de Bitcoin como meio de pagamento para qualquer transação que ocorra dentro de seu território. 

Para incentivar a utilização do Bitcoin, o Governo de El Salvador anunciou a distribuição do equivalente a US$ 30 para todos os cidadãos que baixassem a carteira Chivo, criada especialmente para a população do país.

Empresas internacionais também se envolveram para incentivar que o país caribenho se torne um laboratório para os criptoativos.

A operadora Athena anunciou a instalação de 1500 caixas eletrônicos de Bitcoin espalhados pelo país, fazendo com que haja um ponto de acesso para cada 4 mil habitantes.

Passando a utilizar o Bitcoin, El Salvador abre um precedente para que a moeda seja oficializada em outros países também.

O Paraguai, por exemplo, já está se preparando para colocar em discussão no congresso um projeto de lei similar.

Valorização do Bitcoin

O Bitcoin valorizou 303%, em dólares, em 2020: de US$ 7.300 para US$ 29.433.

Quando a conta é feita em reais, a valorização chegou a 419%, e há possibilidades de continuar se valorizando, visto que é uma moeda escassa e limitada (a 21 milhões de unidades, número que deve ser atingido em 2140).

Em dólares, o Bitcoin saltou de US$ 10 mil, em outubro, para US$ 65 mil em abril. Em julho de 2021, caiu e chegou a US$ 35 mil.

Falando em reais e considerando o ano de 2021, 1 BTC valia aproximadamente R$ 151 mil em 1º de janeiro e, em 8 de fevereiro, já estava valendo R$ 248 mil.

No segundo semestre de 2021, o mercado de criptoativos iniciou suas operações cerca de 50% abaixo da sua máxima histórica. Mesmo assim, vale considerar que ela encerrou o primeiro semestre do ano com ganhos de 16,87% e que as perspectivas dos especialistas são positivas e apontam crescimento até o final do ano.

Por que investir em Bitcoin?

O Bitcoin já é considerado uma moeda importante e tem potencial para continuar sendo um investimento interessante, pelo fato de ser durável, 100% digital, não deixar rastros físicos, ser facilmente fracionada para compra em pequenas quantidades e ser segura, pelo fato de ser criptografada.

Quem Determina o Valor do Bitcoin?

Uma dúvida muito comum entre pessoas de todo o mundo é sobre quem diz o valor que o Bitcoin vai valer, já que não há uma regulação sobre o câmbio da moeda no mundo.

A resposta para essa pergunta não é tão simples, mas basicamente, quem regula o valor do Bitcoin é o mercado.

Enquanto houver pessoas interessadas em possuir Bitcoins, haverá demanda pela compra e quem possui o criptoativo pode escolher por quanto deseja vender.

O funcionamento é o mesmo do mercado de ações.

Quem tem, pode segurar o Bitcoin em sua carteira e não vender por um bom tempo. Se muitas pessoas tomam essa decisão, há escassez de moedas sendo negociadas e isso faz com que o preço suba.

Se muitas pessoas decidem vender seus Bitcoins, é natural que precisem diminuir o preço, como em uma feira, para vender mais rápido do que seus concorrentes.

Isso faz com que o preço caia.

Basicamente, quando há mais pessoas interessadas em comprar do que em vender, o preço sobe.

Quando as pessoas começam a vender seus Bitcoins ao mesmo tempo, o preço cai.

Em resumo: Quem regula o preço do Bitcoin é a lei da oferta e da demanda.

Como Investir em Bitcoin

O investimento em Bitcoins pode ser feito através de exchanges, que são corretoras, como a Binance, OKEx, ZG.com, ZBG, Elliot e a Foxbit, que oferecem formas simples de realizar a compra das criptomoedas, através de fundos de investimentos em criptomoedas diversas e também, fundos específicos para investimentos em Bitcoins.

O conselho de especialistas é que, devido à grande volatilidade dos Bitcoins, nenhum investidor aplique mais do que 5% do seu capital em investimentos na criptomoeda, assim, é possível diversificar a carteira, sem se expor a grandes riscos.

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Fundos para Investimentos em Bitcoin

É natural que diversos bancos passem a investir esforços para atuar com fundos de investimentos em Bitcoin, já que esse é um mercado emergente e com potencial de alta valorização.

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O BTG Pactual foi o primeiro banco do Brasil a oferecer um fundo de Bitcoin para investimento de forma simplificada, segura e rápida.

A segurança vem pelo fato da regulamentação do fundo ser feita pelo maior banco de investimentos da América Latina, a simplicidade vem dos baixos valores possíveis para aplicação (a partir de R$1) e a rapidez, do fato que os investimentos podem ser feitos pelo aplicativo do banco BTG, com suporte online 24 horas.

Mercado Bitcoin

O Mercado Bitcoin nasceu em 2013, é a primeira e maior plataforma brasileira de negociação de Bitcoins e Criptomoedas e está em expansão constante.

Até abril de 2021, a plataforma já havia negociado R$40 bilhões.

Nos primeiros seis meses de 2021, a base de clientes da empresa cresceu mais de 33%, partindo de 2,1 milhões e alcançando 2,8 milhões.

Dia 1º de julho, o Softbank, grupo japonês de venture capital,  anunciou um aporte de US$ 200 milhões (R$ 996,5 milhões) no Mercado Bitcoin, elevando a avaliação da empresa para US$ 2,1 bilhões (R$ 10,51 bilhões).

A Holding já havia recebido um aporte de R$ 200 milhões da GP Investments e da Parallax Ventures.

Será que tantas empresas investiriam valores dessa magnitude em uma plataforma de negociação de criptomoedas se não houvesse alguma previsão de que o Bitcoin continuará se mantendo como um ativo de alto valor?

Esse crescimento acaba retroalimentando o mercado, o que faz com que os investidores passem a confiar ainda mais em operar Bitcoins, afinal, se grandes empresas estão oferecendo aportes milionários para empresas que atuam com a negociação de criptoativos, deve ser porque eles são, minimamente, confiáveis.

Onde guardar o Bitcoin?

Como qualquer tipo de moeda, o Bitcoin precisa ser guardado e mantido seguro.

Como se trata de uma moeda digital, a melhor forma de guarda-la é em uma carteira de Bitcoins, porém, também é possível mantê-la em carteira de papel e em hardwares.

Atualmente, entre as opções digitais mais conhecidas e confiáveis estão a Electrum (Windows, Linux e OS X) e Breadwallet (iOS e Android), mas vale dizer que as corretoras também atuam como carteiras (ou wallets) para quem não quer negociar seus ativos, mas deseja mantê-los seguros.

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