Moeda Fiduciária: Como Funciona e sua Origem no Brasil

por Tasso Lago, em 10 de junho de 2022

Engenheiro, Pós Graduado em Finanças Corporativas pela COPPEAD/UFRJ e Mestre em Corporate Finance pela Université de Bordeaux. Atuou como Analista Financeiro para o Banco da IBM - USA e para Fundação Getúlio Vargas como Inteligência de Mercado. Professor de Blockchain e Criptomoedas na COPPEAD/UFRJ. Atua como Gestor de Portfólio e Consultor Financeiro, tendo mais de 10 milhões de reais em ativos gerenciados.




Sabe o que é uma moeda fiduciária e como ela funciona? Vem entender o que é essa moeda e ver como ela está presente no seu dia a dia.

Por mais que o nome dê a impressão de algo extremamente complexo, a moeda fiduciária está mais presente na sua vida do que você imagina.

Ela nada mais é do que o dinheiro que usamos todos os dias. Cédulas, moedas, saldo em conta, cheques, etc. Tudo isso é moeda fiduciária. Trocando em miúdos, é o dinheiro nosso de cada dia.

Mas, diferente de outros tipos de moedas, não existe nada que garanta o valor da moeda fiduciária emitida por governos. Sua aceitação é obrigatória por lei, e somente estes valores são aceitos para pagamentos de tributos e impostos.

Então, com isso em mente, vamos entender melhor o que é e como funciona essa tipo de moeda.

O que é moeda fiduciária?

Explicando de forma simplificada, a moeda fiduciária  (ou Fiat Currency) é uma moeda sem lastro em metal ou valor intrínseco. Portanto, ela só possui valor porque o governo, a economia e as pessoas em geral atribuem uma valia à moeda fiduciária, mas não porque ela, por si, apresenta algum valor. 

Possuir um valor intrínseco significa que esse papel não teria um valor prático se as pessoas ou entidades não atribuíssem uma valia para eles. Por exemplo, uma nota de cem reais é apenas um pedaço de papel. No entanto, como há um valor intrínseco nela, a usamos como dinheiro. 

Dessa forma, é considerado moeda fiduciária qualquer documento que seja aceito como método de pagamento e seu valor depende da confiança na instituição que o emitiu. 

Na prática, o real, o dólar, o euro e qualquer uma dessas moedas são moedas fiduciárias porque elas não possuem um valor intrínseco, mas apenas o valor atribuído a elas. 

Entre exemplos de moeda fiduciária podemos citar, as cédulas de dinheiro; moedas; cheques; notas promissórias; títulos de crédito; saldo bancário, entre outros.

Surgimento da moeda fiduciária

Não há qualquer documentação que prove a origem das moedas fiduciárias. No entanto, a hipótese mais aceita quando esse é o assunto é que elas tenham surgido na China, com a dinastia Song. Lá, entre os anos de 960 a 1279, teria acontecido a primeira emissão de uma moeda fiduciária de papel. 

Ao longo do século XVII, houve tentativas de experimentar a moeda fiduciária, mas os resultados não foram bons. Apenas no século XX que ela emplacou. 

Em 1933, o governo dos Estados Unidos acabou com a prática de trocar dinheiro em papel por ouro. No entanto, apenas em 1972, o governo abandonou completamente o padrão ouro e mudou para o sistema de moeda fiduciária. Isso fez com que esse tipo de moeda se tornasse muito mais abrangente no mundo todo.

Qual moeda fiduciária do Brasil?

Se a moeda fiduciária é aquela que o governo impõe ao povo como forma de normalizar as transações comerciais, o Real deve ser considerado essa moeda.

Na história do país, a moeda corrente já passou por diversas mudanças. Cruzeiro, cruzeiro novo, cruzado, cruzado novo, real… entre outras que já fizeram parte do dia a dia do brasileiro.

Mesmo sendo o Real a moeda oficial brasileira, o dólar, o euro e outras moedas também são fiduciárias e circulam no país normalmente.

O que significa valor fiduciário?

Valor fiduciário é o valor intrínseco de uma moeda fiduciária. Na prática, é o valor atribuído ao papel que é utilizado nas transações, no caso do Brasil, a moeda é o Real.

Esse valor é atribuído arbitrariamente. Uma nota de 100 reais tem esse valor porque foi dito que esse é o valor dela.

Vantagens e desvantagens de moeda fiduciária

Uma das vantagens da moeda fiduciária é que ela não passa por problemas de escassez. Afinal de contas, tudo o que o governo precisa fazer é imprimir mais dinheiro. O problema das moedas lastreadas em ouro, era justamente o fato de que o ouro é um metal escasso. 

Outra vantagem é que as moedas fiduciárias são usadas em quase todo o mundo, isso facilita bastante as negociações internacionais. Além disso, essas moedas são mais baratas de serem produzidas e mais fáceis de serem armazenadas.

Em contrapartida, esse tipo de moeda também tem algumas desvantagens. A principal delas é a perda do poder de compra. Como ela não tem valor lastro, o governo pode imprimir quanto dinheiro quiser, o que impacta diretamente na inflação do país e pode resultar em hiperinflação.

Diferença entre moeda fiduciária e moeda lastreada

Falamos ao longo deste artigo sobre moeda fiduciária e também sobre moeda lastreada. E é bom entender a diferença entre as duas para que fique claro como cada uma delas funciona.

A moeda lastreada é uma moeda que tem um lastro, ou seja, um valor baseado em algum bem durável, como ouro, prata ou outro bem com valor intrínseco. Em outras palavras, a emissão de notas depende da riqueza real acumulada por aquele país. Esse tipo de moeda é conhecida como moeda lastreada.

O que podemos entender sobre moeda lastreada é que um país não pode sair emitindo notas de dinheiro sem se basear em nada. Todo dinheiro produzido é baseado nos bens que o país possui.

Já a moeda fiduciária não se baseia em nenhum bem durável, como os metais preciosos, ou seja, é uma moeda que não possui um lastro. Veja o que diz a Wikipedia sobre a moeda fiduciária:

Moeda fiduciária é qualquer título não-conversível, ou seja, não é lastreado a nenhum metal (ouro, prata) e não tem nenhum valor intrínseco. Seu valor advém da confiança que as pessoas têm de quem emitiu o título. A moeda fiduciária pode ser uma ordem de pagamento (cheques, por exemplo), títulos de crédito, entre outros. É constituída principalmente por cheques, ordens de pagamentos, títulos de crédito, entre outros.

Exemplo Prático

Para ficar mais claro, vamos utilizar um exemplo simples. Imagine que você deve um dinheiro a um amigo. Mas, no dia de pagar esse dinheiro, você não tem ele todo.

Então, você faz um acordo com o seu amigo e assina um papel onde você se compromete a pagar no próximo mês e, caso isso não aconteça, seu amigo pode tomar o seu celular como garantia do pagamento.

Esse papel que você assinou funciona como uma moeda lastreada, porque você está dando uma garantia para seu amigo. Caso você não pague, ele ficará com o celular, que tem um valor em dinheiro.

Mas caso você dê a seu amigo um cheque pré-datado para pagar no próximo mês, ele não tem garantia nenhuma que você irá pagar. Se ele entrar com o cheque, e não tiver fundos, ele ficará no prejuízo. Isso é uma moeda fiduciária. Por isso essa moeda é baseada na confiança.

Agora que você já sabe como ela funciona, também passou a entender como é o sistema de algumas criptomoedas, que tem seu lastro na moeda fiduciária corrente do país de origem.

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