Tether muda lastro da stablecoin USDT para aumentar confiança de investidores

por Carol Fernandes, em 20 de maio de 2022

Graduada em Publicidade e Propaganda pela UNIB/SP e Produtora de Multimídia pelo SENAC/SP. Atuou mais de 12 anos em diversas empresas de tecnologia e em multinacionais na área de marketing. Atualmente é produtora de conteúdo e educadora cripto no canal Carolinvest.




Há exatamente um ano, apenas 3% do fornecimento da USDT era lastreado por dinheiro em espécie, apesar de a empresa ter afirmado anteriormente que era 100% pareada em dinheiro.

Desde então, a Tether está sob extrema pressão para aumentar o dinheiro em espécie e reduzir a porção de títulos comerciais em sua reservas.

Em setembro de 2021, quando as chinesas promotoras imobiliárias Evergrande e Kaisa estavam sob o risco de perderem um pagamento de títulos americanos, títulos comerciais compunham US$ 31 bilhões das reservas de US$ 69 bilhões da empresa.

Apesar de a Tether não ter informado quais empresas emitiram seus títulos comerciais, sempre enfatizou que esses ativos representam uma decrescente porção de suas reservas.

Uma semana depois de sua stablecoin ter perdido parte de sua paridade do dólar americano, o relatório público da Tether referente ao primeiro trimestre de 2022, divulgado nesta quinta-feira (19), mostra que a companhia reduziu em 16,8% os títulos comerciais usados para lastrear o seu token USDT – confirmando a informação que havia sido antecipada por um de seus executivos.

Segundo o relatório, em 31 de março de 2022, dos US$ 82 bilhões em reservas da Tether, 86% estavam em dinheiro em espécie e equivalentes de dinheiro, o restante incluía US$ 4 bilhões em títulos corporativos, US$ 3 bilhões em empréstimos com garantia e US$ 5 bilhões em outros investimentos, como criptomoedas, segundo o relatório.

Títulos comerciais são obrigações sem garantias e de curto prazo emitidas por uma corporação. Ao reduzir sua participação e ampliar a de dinheiro em espécie, a USDT sinaliza que possui lastros mais robustos para enfrentar turbulências entre as stablecoins – como a que derrubou a UST, do projeto Terra – e aumenta a confiança dos investidores no token.

A porção de dinheiro em espécie e equivalentes de dinheiro consistia de 52% de títulos do tesouro americano, 37% de títulos comerciais e o restante estava em fundos de mercado monetário e depósitos com dinheiro em espécie.