Arbitragem de bitcoin: o que é, como funciona e vale a pena?

por Tasso Lago, em 16 de janeiro de 2022

Engenheiro, Pós Graduado em Finanças Corporativas pela COPPEAD/UFRJ e Mestre em Corporate Finance pela Université de Bordeaux. Atuou como Analista Financeiro para o Banco da IBM - USA e para Fundação Getúlio Vargas como Inteligência de Mercado. Professor de Blockchain e Criptomoedas na COPPEAD/UFRJ. Atua como Gestor de Portfólio e Consultor Financeiro, tendo mais de 10 milhões de reais em ativos gerenciados.




Aprenda tudo sobre Arbitragem de Bitcoin e entenda como os formadores de mercado (market makers) ganham dinheiro com ela.

No mercado de ações tradicional, as corretoras atuam repassando ordens para uma Bolsa de Valores centralizada, como a B3 de São Paulo ou a NYSE, a Bolsa de Nova Iorque, por exemplo.

Quando o assunto é o mercado de criptos, as coisas funcionam de uma forma diferente, justamente porque não existe essa bolsa de valores centralizadora.

As corretoras, também chamadas de Exchanges, trabalham de forma autônoma, com regras, prazos e taxas próprias, sem precisar enviar todas essas informações pra uma espécie de central que regule ou controle suas atividades e isso faz com que surja a oportunidade de realizar a arbitragem dos Bitcoins e outras criptomoedas. Abaixo, será possível compreender o que é essa arbitragem e como ela funciona.

O que é a arbitragem de Bitcoin?

o que é arbitragem de bitcoin?
O que é arbitragem de bitcoin

Arbitragem de Bitcoin é, basicamente, a compra da criptomoeda com venda imediata em outra exchange por um valor mais alto, visando pequenos lucros imediatos.

A arbitragem é considerada um tipo de trade de baixo risco, quase sempre com ordens executadas por robôs.

Embora o Bitcoin seja a moeda mais utilizada para esse tipo de negociação, também é possível realizá-la com outras moedas como o Ethereum e o Litecoin, por exemplo.

Aliás, essa é outra possibilidade: realizar a arbitragem entre criptoativos diferentes, dentro ou fora de uma só corretora.

Como funciona a arbitragem de Bitcoin?

A princípio, a ideia da arbitragem pode parecer confusa para alguns traders e investidores porque, teoricamente, as criptomoedas possuem um valor de mercado equivalente em qualquer corretora, porém, de acordo com a exchange negociada, pode haver sim uma variação no preço do Bitcoin ou de outra moeda. Isso pode acontecer por diversas questões, como os perfis dos clientes ou prazos diferentes para transferências de criptoativos. Essa diferença de valores entre as corretoras é chamada de spread.

Quando o investidor tem limites de saques diários na sua exchange, por exemplo, é provável que ele exija um valor maior para vender sua criptomoeda nesta corretora.

Outra situação que pode ocorrer é quando um criptoativo está com baixa liquidez, gerando menos ordens de compra e venda em certas exchanges (em especial, nas menores), o que pode fazer com que o preço diminua.

Como fazer arbitragem de Bitcoin?

Um exemplo simples de como fazer arbitragem de Bitcoin: o usuário pode comprar 0,002 Bitcoins em uma exchange por R$ 350 e realizar a venda, imediatamente, em outra corretora por R$ 365. O valor de Bitcoins negociado continua o mesmo, porém, obtém-se o lucro de R$15.

Se o investidor possui R$ 1.000 e 0,005 Bitcoin em duas exchanges diferentes, pode realizar a arbitragem em qualquer direção, ou seja, comprar Bitcoin na “Exchange A”, e vender na “Exchange B” ao mesmo tempo, ou vice-versa.

Essa operação pode ser feita diversas vezes ao dia, conforme surgem oportunidades e, justamente por existirem oportunidades diversas vezes ao dia, é que são utilizados os robôs, ou bots, para conseguir acompanhar o mercado e não perder possibilidades de negociação.

Outra possibilidade de arbitragem é realizar a compra de Bitcoins em corretoras norte-americanas e vender no Brasil. Exemplo: O investidor pode comprar 30.000 dólares de Bitcoins no exterior e vender no Brasil, quando o câmbio estiver acima do que ele pagou no momento da compra.

O objetivo é sempre o mesmo: Realizar trades de baixo risco, explorando diferenças de cotação em mercados relacionados aos criptoativos.

Arbitragem em Bitcoin Vale a Pena?

Arbitrar Bitcoins já foi mais lucrativo do que é hoje, pois quando havia menos investidores e o mercado funcionava de forma mais lenta, era possível aproveitar mais oportunidades de trade. Isso, no entanto, não significa que hoje não seja mais possível lucrar com as operações, mas sim que é necessário ter um pouco mais de habilidade e agilidade para alcançar bons resultados.

Para que a arbitragem seja lucrativa, é importante que o investidor mantenha certos valores de Reais e Bitcoins em todas as exchanges que utiliza. Isso porque o prazo e custo dos mineradores para realizar a transferência dos criptoativos tornaria o trade inviável.

Levar em conta todas as taxas e tarifas é uma regra que jamais pode ser negligenciada quando o assunto for arbitragem, pois mesmo que as negociações sejam, a princípio, lucrativas, ainda é possível que o investidor perca dinheiro se a transação não tiver saldo positivo mesmo contando com possíveis descontos.

Outro aspecto que não pode ser negligenciado é a questão da velocidade que as Exchanges possuem para realizar transações. Um atraso de milésimos de segundos pode resultar em uma execução incompleta e gerar prejuízo por tornar inviável a compra e a venda simultaneamente.

Uma forma de reduzir esse risco e potencializar resultados é utilizar os robôs de arbitragem. Abaixo, será possível compreender melhor como eles funcionam:

O que são os robôs de arbitragem e como funcionam?

Com tantas opções de criptomoedas disponíveis, pode se tornar difícil para um investidor realizar pesquisas que contemplem todas as oportunidades e é, justamente aí, que os robôs começam a demonstrar sua utilidade.

Robôs de arbitragem são capazes de executar negociações automaticamente, de forma ágil e repetitiva, sem a necessidade de intervenção humana, pois o robô consegue tomar inúmeras decisões com base na estratégia que o trader definir.

Apesar disso, é importante dizer que os robôs não devem trabalhar sozinhos e que o acompanhamento humano é fundamental.

Os robôs de arbitragem realizam operações de forma automática e sem autonomia própria, o que significa que eles seguem parâmetros traçados pelo investidor e que não criam estratégias sozinhos, ou seja, se o investidor utiliza uma estratégia ruim manualmente, ele continuará perdendo dinheiro ao utilizar um robô, pois o problema, nesse caso, não é a velocidade da operação ou a quantidade de vezes que ela precisa ser executada, mas sim, o tipo de decisão que está sendo tomada.

Posso confiar em um robô?

Quando o assunto é a execução de transações financeiras, um robô pode ser muito mais preciso do que um ser humano, e um dos motivos é a ausência de emoções, dúvidas, preocupações e cansaço, que podem fazer com que humanos tomem decisões erradas, enquanto os robôs podem executar a mesma estratégia, de forma repetitiva, por tempo indeterminado.

Apesar disso, há outros fatores que não podem ser ignorados quando o assunto é confiabilidade, afinal, apesar do robô ser inteligente para executar operações, sempre há uma empresa por trás da tecnologia que está sendo utilizada e pensar nisso é, realmente, importante.

Os três principais fatores de confiabilidade de um robô de arbitragem são: transparência, risco de operação e custódia dos fundos.

Empresas realmente transparentes costumam deixar acessível o histórico de operações e demonstrá-lo de forma bem clara, de modo que o trabalho realizado pelo robô possa ser auditado.

Se essas informações não estiverem disponíveis ou forem prestadas de forma mais complexa do que o investidor possa compreender, é possível que a empresa não seja a melhor opção para o manuseio de investimentos.

Tipos de robôs de arbitragem

Arbitragem de Bitcoin vale a pena?
Arbitragem de Bitcoin

Existem tipos diferentes de robôs para realizar arbitragem, sendo que os principais são:

Robô para fazer composição de carteira de investimentos

Esse é o robô de investimentos mais comum no Brasil.

Seu trabalho é diversificar a carteira de investimentos dos clientes de uma corretora/Exchange, facilitando o trabalho de grandes empresas que atuam na área de investimentos diversos e precisam criar vários tipos de carteiras, para clientes diferentes, e conseguir o melhor resultado sobre todos esses investimentos.

Como compor uma carteira diversificada é bastante complexo, a agilidade dos robôs auxilia muito no trabalho desses profissionais.

Robô para realizar operações de alta frequência

Esse tipo de robô realiza operações em uma frequência muito acima da média, 24 horas por dia, e é utilizado, principalmente, em empresas que trabalham com a promessa de rendimentos mensais em operações de arbitragem ou trades.

Sua programação é feita para executar apenas as melhores oportunidades do mercado, utilizando o conhecimento do seu desenvolvedor nesses indicadores.

Robôs Gratuitos

Quem não pretende investir na contratação de um robô, pode utilizar as opções gratuitas disponíveis no mercado, mas não se pode esperar muito desse tipo de bot. A grande maioria não está totalmente pronta, nem em português, e é necessário que o investidor saiba um pouco de programação para conseguir utilizar as ferramentas.

Entre os robôs gratuitos mais conhecidos estão o Gekko, com código aberto, disponível para operar nas Exchanges Binance, Poloniex, GDAX, Kraken, Bitfinex, Biitrex, CoinFalcon e Luno, e o Zenbot, um robô um pouco mais complexo e sem muitas informações sobre como utilizá-lo.

Robôs Pagos

Para escolher um robô pago, o investidor precisa, antes de tudo, verificar se sua máquina tem as configurações mínimas para rodar o software do bot. Além disso, é importante ter em mente que as mensalidades/anuidades para o uso dos robôs quase sempre é paga em Bitcoins, então o valor pode oscilar bastante de um período para o outro.

Entre os robôs de arbitragem mais conhecidos estão:

Gunbot: Um dos mais famosos robôs entre profissionais da área Tech.

Disponível para as Exchanges: Bittrex, Poloniex, Bitfinex, Binance, Huobi, Kucoin, Bleutrade, GDAX, Coinbase, CEX.IO, Kraken e Cryptopia.

Cryptotrader: Um robô que trabalha em nuvem, sendo mais eficiente em relação ao uso de energia elétrica e garantindo uma estabilidade que robôs que dependem de um computador ligado, quase nunca podem prometer.

Disponível para as Exchanges: Bitfinex, Bitstamp, Poloniex, Coinbase, Kraken, Bittrex, KCoin, Binance e Huobi.

Bottrex: Robô de arbitragem em português, criado e desenvolvido no Brasil!

Disponível para as Exchanges: Bittrex, Huobi, BitcoinTrade, Binance e HitBTC.

Haasbot: Possui ótima reputação nas comunidades de criptoinvestidores e é considerado um automatizador de negociações para as criptomoedas.

Disponível para as Exchanges: Binance, BitMex, Coinbase, Deribit, Huobi, KuCoin e Poloniex.

Como escolher um robô de arbitragem

Basta um estudo básico sobre a arbitragem de Bitcoin e outras criptos que fica fácil de compreender como um robô pode ser útil (e até necessário) para quem quer ganhar dinheiro nesse mercado, porém, para quem não tem experiência nesse segmento, não é fácil programar um robô e, nem mesmo, saber quais opções já existentes no mercado podem ser confiáveis e úteis o bastante para transformar a arbitragem em uma forma de investimento que valha a pena.

Como existem diversas empresas, com características diferentes, é necessário avaliar diversos fatores, desde os registros de reclamações em sites como o Reclame Aqui a grupos de Facebook, Telegram e WhatsApp que tenham a arbitragem e investimentos em criptos como temas principais, até fatores como o  taxas cobradas, transparência e investimento mínimo.

Testar a plataforma de automatização também é importante. As melhores empresas costumam oferecer um período gratuito ou garantir a devolução de alguns valores caso o cliente não fique satisfeito com a tecnologia e o suporte oferecidos.

Qual a melhor plataforma para arbitragem de Bitcoin?

Desde que o Bitcoin surgiu, diversas plataformas e exchanges foram criadas para que os usuários pudessem manipular suas carteiras, porém, nem todas são, realmente, confiáveis.

Embora seja comum que investidores se atentem, primariamente, às taxas de intermediação, essa não deve e não pode ser a única preocupação.

Existem registros de corretoras que bloquearam saques por longos períodos e outras que tiveram problemas de segurança que geraram prejuízos de até 7 Bitcoins, valor que, atualmente, corresponde a mais de 1 milhão de reais.

Para reduzir esses riscos, é importante utilizar apenas corretoras que estejam devidamente registradas no país.

Outro ponto que deve ser considerado na escolha da plataforma para fazer arbitragem é o uptime do servidor, ou seja, verificar se a plataforma escolhida consegue se manter estável e funcionando durante fortes oscilações do mercado. As exchanges mais confiáveis costumam disponibilizar essa informação para que seus clientes possam se certificar de que podem, realmente, contar que conseguirão realizar operações na hora certa e garantir o trade lucrativo, sem problemas técnicos para atrapalhar.

O que você achou deste conteúdo sobre arbitragem de Bitcoin? Conseguiu aprender um pouco mais sobre esse mercado e suas opções?

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